Batalha das Termópilas: Estratégia, Falange e Mitos de Esparta

No final do verão de 480 a.C., o som abafado de milhares de sandálias marchando sobre pedras ecoou pelo desfiladeiro entre o monte Calídromo e o golfo Malíaco. Naquela passagem costeira conhecida como Portões Quentes, uma coalizão liderada por Esparta preparava-se para enfrentar o maior exército imperial da Antiguidade.

A célebre batalha das termópilas tornava-se, naquele instante, o teste definitivo entre a disciplina compacta das pólis e a imensidão militar do Império Aquemênida liderado por Xerxes I. O desfecho dessas pedras ecoaria por milênios como um dos maiores marcos da memória histórica do Ocidente.

Muito além da visão mitificada de trezentos guerreiros isolados, o embate foi uma complexa operação estratégica coordenada entre forças terrestres e frotas navais no estreito de Artemísio. Os estrategistas gregos sabiam que a geografia montanhosa era sua única aliada real contra a superioridade numérica asiática.

Este artigo aprofunda as manobras táticas da falange hoplítica, os três dias de combates sangrentos, a participação indispensável dos setecentos aliados téspios e as evidências arqueológicas que desfazem séculos de simplificações sobre a batalha das termópilas.

Sumário

Contexto histórico da batalha das termópilas

As origens do conflito remontam à Revolta Jônica e à Primeira Guerra Médica, quando Dario I foi derrotado em Maratona em 490 a.C. Determinado a vingar a honra imperial e subjugar a península, seu sucessor Xerxes I passou quatro anos reunindo recursos de todas as satrapias persas.

Contexto histórico da batalha das termópilas.

Em 480 a.C., uma expedição colossal cruzou o Helesponto sobre pontes de barcos flutuantes, avançando pela Trácia e Macedônia em direção ao sul para deflagrar a campanha que culminaria na batalha das termópilas.

Diante da invasão iminente, cerca de trinta cidades-estado gregas formaram uma aliança defensiva sob a liderança militar de Esparta no Congresso de Corinto. A estratégia confederada consistia em deter o avanço persa em gargantas geográficas estreitas, onde a imensa vantagem numérica persa pudesse ser neutralizada com eficiência.

O plano previa um bloqueio terrestre no desfiladeiro costeiro das Termópilas e um bloqueio naval simultâneo no cabo Artemísio. Essa coordenação impedia que a frota fenícia desembarcasse tropas atrás dos defensores e rompesse a retaguarda grega antes da hora.

No entanto, a mobilização grega enfrentou graves entraves religiosos e políticos internos. Esparta celebrava o festival sagrado das Carneas, que proibia formalmente expedições militares fora do Peloponeso antes da lua cheia, enquanto o restante da Grécia participava dos Jogos Olímpicos.

Diante da urgência extrema, o rei Leónidas partiu com sua guarda pessoal de trezentos espartíatas veteranos que já possuíam filhos homens para perpetuar suas linhagens, convocando contingentes aliados ao longo da marcha rumo à batalha das termópilas.

Ao atingirem a Tessália, os comandantes gregos constataram que a passagem das Termópilas era o único corredor transitável para cavalaria e carretas de suprimentos que conectava o norte ao sul da Grécia. A barreira física criada pela natureza permitia que um punhado de combatentes disciplinados enfrentasse massas desproporcionais de invasores.

A decisão de lutar no desfiladeiro selou a importância militar e simbólica que consagrou a batalha das termópilas. Sem essa barreira geográfica providencial, a confederação grega teria sucumbido nas planícies abertas da Beócia antes de organizar suas defesas centrais.

Linha do tempo da batalha das termópilas

Os acontecimentos do verão de 480 a.C. desenrolaram-se em um ritmo frenético de manobras políticas, bloqueios de passagens e sacrifícios táticos. A tabela a seguir sistematiza as etapas cronológicas fundamentais do confronto e suas repercussões imediatas:

Momento HistóricoEvento PrincipalAção EstratégicaConsequência Tática
Início de 480 a.C.Passagem do HelespontoExército persa cruza para a EuropaAliança grega decide barrar avanço nas Termópilas.
Agosto de 480 a.C.Posicionamento defensivoGregos reconstroem o Muro FóquioBloqueio terrestre coordenado com a frota em Artemísio.
Primeiro e Segundo DiasAtaques frontais persasFalange repele medos e ImortaisPesadas baixas persas sem romper a linha grega.
Terceiro Dia de CombateTraição na trilha de AnopaiaCerco pela retaguarda dos defensoresSacrifício final de Leónidas, espartanos e téspios.

Essa sequência cronológica demonstra que a resistência no desfiladeiro não foi fruto do acaso, mas de um plano rigoroso de contenção temporal. O objetivo primordial era ganhar dias preciosos para a evacuação de Atenas e a reorganização da frota aliada no mar.

O sacrifício no desfiladeiro não foi um ato de suicídio místico, mas um cálculo político desesperado para que o restante da Grécia ganhasse o tempo necessário para respirar e lutar. Cada hora conquistada pelos combatentes comprou o futuro da civilização helênica.

Os 3 dias da batalha das termópilas e o confronto militar

O desenvolvimento tático dos combates dividiu-se claramente em três jornadas consecutivas de intensidade crescente. Cada dia revelou aspectos distintos da guerra antiga e expôs os limites da força bruta contra a coesão defensiva da falange durante a batalha das termópilas.

O primeiro dia: o choque de infantarias e a muralha de escudos

Durante quatro dias após chegar ao planalto de Trácis, o imperador Xerxes I permaneceu acampado sem atacar. Ele acreditava firmemente que a visão de sua armada faria os gregos dispersarem em fuga desordenada pelas montanhas sem necessidade de combate sangrento.

Diante da recusa dos defensores em render suas armas — respondida com a clássica frase Molon labe (“Venham pegá-las”) —, Xerxes ordenou o ataque ao amanhecer do quinto dia. As primeiras ondas foram compostas por guerreiros medas e císios, equipados com escudos de vime trançado e lanças curtas.

Ao colidirem contra a falange grega, os soldados imperiais foram repelidos sistematicamente. As lanças longas dos hoplitas e seus escudos de madeira revestidos de bronze impediam qualquer aproximação eficaz no solo pedregoso.

Irritado com as perdas elevadas, Xerxes lançou no final da tarde sua tropa de elite: os dez mil Imortais comandados por Hidarnes. Contudo, no espaço exíguo do desfiladeiro, a guarda imperial persa sofreu o mesmo destino trágico nas linhas da batalha das termópilas.

O segundo dia: frustração imperial e a descoberta da trilha

No segundo dia, Xerxes renovou as investidas esperando que as feridas e o cansaço físico tivessem minado a resistência da vanguarda grega. O soberano persa supunha que um número tão reduzido de defensores não suportaria novo dia de pressão ininterrupta.

Leónidas, no entanto, havia organizado um engenhoso sistema de revezamento contínuo entre os contingentes das diferentes cidades aliadas. Cada pólis assumia a linha de frente por turnos regulares, mantendo guerreiros sempre descansados na contenção dos ataques persas.

Foi no final desse segundo dia de impasse que a balança estratégica pendeu a favor dos invasores. Um habitante local chamado Efialtes, seduzido pela promessa de imensas riquezas em ouro, revelou a Xerxes a existência da trilha montanhosa de Anopaia.

Esse caminho sinuoso atravessava as cristas arborizadas do monte Calídromo, permitindo contornar a posição grega e cair diretamente sobre sua retaguarda desprotegida na batalha das termópilas. A traição alterou irreversivelmente as condições do confronto.

O terceiro dia: o cerco inevitável e o sacrifício supremo

Ao cair da noite, Hidarnes conduziu os Imortais pela trilha de Anopaia sob a escuridão da floresta de carvalhos. Ao amanhecer, os mil soldados fócios destacados por Leónidas para vigiar a trilha foram surpreendidos e recuaram para o cume da montanha, deixando a passagem livre.

Informado por batedores sobre o cerco iminente, Leónidas reuniu o conselho de guerra e ordenou que a maioria dos aliados retirasse imediatamente. Ele pretendia preservar a maior parte das forças gregas para as batalhas futuras que decidiriam a guerra.

Permaneceram no desfiladeiro apenas os trezentos espartanos, acompanhados por quatrocentos tebanos e setecentos bravos guerreiros téspios que recusaram a fuga voluntariamente. Ciente de que a morte era certa, Leónidas avançou para uma parte mais larga do terreno para maximizar as baixas inimigas.

Após a quebra de suas lanças, os gregos lutaram com espadas curtas, punhais e até as próprias mãos. Ao final da manhã, foram soterrados por uma chuva maciça de flechas persas que encerrou com glória a batalha das termópilas.

Táticas da falange grega na batalha das termópilas

A extraordinária resistência dos defensores gregos derivou fundamentalmente do casamento perfeito entre geografia física e doutrina militar. A falange hoplítica era uma máquina de combate projetada para o choque frontal em ordem cerrada, com guerreiros alinhados ombro a ombro cobrindo o flanco do companheiro.

A geometria do funil costeiro e a anulação de arqueiros

No local exato do embate, conhecido como Portão Médio, o desfiladeiro possuía uma largura de apenas quinze a vinte metros entre os penhascos quase verticais da montanha e o mar. Esse confinamento espacial impedia manobras de flanqueamento e limitava a frente de contato a poucas dezenas de homens.

O exército persa, cuja doutrina dependia de barragens volumosas de arqueiros e ataques velozes de cavalaria, viu seus pontos fortes totalmente anulados. A geografia estreita transformou a batalha das termópilas em um combate de atrito puro onde a armadura pesada decidia o vencedor.

As flechas persas de ponta leve ricocheteavam sem efeito contra os escudos de madeira laminada e as couraças metálicas dos gregos. Para atingir os hoplitas, os arqueiros precisavam aproximar-se perigosamente, ficando vulneráveis a surtidas mortíferas dos defensores.

A manobra do falso recuo espartano

Uma das manobras mais brilhantes registradas pelo historiador Heródoto foi a execução coordenada da retirada simulada pelos espartanos. Em momentos de grande pressão, a linha espartana fingia entrar em pânico e recuava desordenadamente para o interior do desfiladeiro.

Atraídos pela ilusão de uma vitória fácil, os soldados persas quebravam suas próprias fileiras e avançavam gritando em perseguição caótica. A disciplina grega transformava a imprudência inimiga em armadilha letal.

Subitamente, a um sinal sonoro de comando, os espartanos giravam sobre os próprios calcanhares em uníssono perfeito, recompondo a parede de escudos e empalando os perseguidores desorganizados com suas lanças pesadas de freixo (dory). Essa manobra exigia anos de treinamento e consolidou a fama da batalha das termópilas.

A força da falange nas pedras estreitas residia menos na glória individual do guerreiro espartano e muito mais no peso compartilhado de escudos de bronze que não permitiam o recuo. Quando a formação permanecia coesa, nenhuma infantaria leve da Ásia conseguia romper sua barreira impenetrável.

As forças mobilizadas na batalha das termópilas

A disparidade de efetivos entre os dois blocos beligerantes tornou-se um dos aspectos mais debatidos e distorcidos da história antiga. Enquanto as crônicas greco-romanas inflavam os números persas para proporções astronômicas, a arqueologia moderna e a logística militar revelam um quadro mais realista.

A coalizão grega: os heróis esquecidos de Téspias

Ao contrário da lenda urbana, a defesa inicial das Termópilas contava com aproximadamente sete mil combatentes gregos provenientes de diversas regiões. Além dos trezentos cidadãos de elite de Esparta, a tropa contava com cerca de mil soldados periecos e servos hilotas espartanos.

Somavam-se a eles setecentos téspios da Beócia, quatrocentos tebanos, mil fócios, mil lócrios opúncios e destacamentos de Corinto, Micenas, Arcádia e Mantineia. Essa união temporária representou um raro momento de ação coordenada entre pólis tradicionalmente rivais.

A história tradicional tende a apagar o papel heroico dos setecentos cidadãos de Téspias liderados pelo general Demófilo. Enquanto os espartanos cumpriam o código rígido de sua sociedade guerreira, os téspios eram agricultores e comerciantes que decidiram voluntariamente sacrificar sua juventude para cobrir a retirada grega.

Quase toda a geração jovem de cidadãos de Téspias pereceu heroicamente na batalha das termópilas, salvando seus companheiros de armas. Seu sacrifício voluntário merece ser lembrado com o mesmo respeito concedido aos guerreiros de Esparta.

O exército imperial de Xerxes: a realidade dos números

Heródoto afirmou categoricamente que o exército de invasão persa somava mais de dois milhões e seiscentos mil combatentes, número que se elevaria a cinco milhões ao incluir servos e comboios de abastecimento. Historiadores contemporâneos refutam essa estimativa com base na impossibilidade de alimentar tal massa humana.

Estimativas modernas aceitas por pesquisadores calculam as forças terrestres reais de Xerxes entre cento e vinte mil e duzentos mil soldados, acompanhados por cerca de mil navios de guerra fornecidos por fenícios e egípcios. Essa frota navegava em apoio mútuo ao longo do litoral grego.

Mesmo com esses números revisados para a realidade empírica, a desproporção numérica permanecia avassaladora. Manter uma posição tão desfavorável contra um império continental exigiu coragem moral incomum de todos os envolvidos na batalha das termópilas.

Figuras-chave da batalha das termópilas

O desenrolar dramático do confronto foi moldado por líderes carismáticos e figuras trágicas cujas decisões reverberaram por séculos na memória ocidental.

Rei Leónidas I de Esparta

Membro da dinastia dos Ágidas e governante de Esparta desde 489 a.C., Leónidas contava com mais de cinquenta anos quando marchou para o norte. Casado com a rainha Gorgo, célebre por sua agudeza política, ele personificava o ideal lacedemônio de dever absoluto para com a pólis.

Ao escolher morrer no desfiladeiro com seus homens, Leónidas cumpriu uma profecia délfica que previa a salvação de Esparta pela perda de um rei. Essa liderança austera transformou-se no símbolo máximo de comando que imortalizou a batalha das termópilas.

Imperador Xerxes I da Pérsia

Quarto governante do Império Aquemênida, filho de Dario I e neto de Ciro, o Grande, Xerxes liderava a maior máquina imperial do planeta. Descrito por fontes gregas com tintas carregadas de arrogância e tirania desmedida, ele era na realidade um governante experiente que buscava consolidar as fronteiras ocidentais de seus domínios.

Diante da resistência inesperada no desfiladeiro, Xerxes viu sua autoridade política momentaneamente abalada perante as satrapias antes de finalmente romper a defesa heróica na batalha das termópilas.

Demófilo e os bravos téspios

General e comandante do contingente de Téspias, Demófilo liderou setecentos concidadãos que decidiram ficar até o fim ao lado dos espartanos. Sua escolha consciente de não recuar selou o destino de sua cidade, que foi posteriormente incendiada pelas tropas de Xerxes.

A história celebra os trezentos por sua morte heroica, mas foram os setecentos téspios voluntários que provaram que a coragem cívica não dependia da rígida caserna espartana. Eles representam o espírito mais puro da batalha das termópilas.

Efialtes de Trácis: a infâmia do traidor

Pastor nativo da região de Trácis, Efialtes conhecia intimamente as trilhas montanhosas secretas do monte Calídromo. Atraído por promessas de recompensas faustosas e honrarias nobres, ele guiou as tropas de choque persas pela passagem de Anopaia, desferindo o golpe fatal contra os defensores gregos.

Seu nome tornou-se em grego sinônimo literal de pesadelo e traição vil, associado para sempre ao desfecho trágico da batalha das termópilas. A memória helênica jamais perdoou o homem que trocou a liberdade de seu povo pelo ouro de Susa.

O que as fontes divergem sobre a batalha das termópilas

Apesar de sua fama universal, a reconstrução histórica das Termópilas enfrenta discrepâncias notáveis entre os autores antigos e os achados da ciência moderna. A principal fonte documental disponível é o Livro VII das Histórias de Heródoto de Halicarnasso, escrito cerca de quarenta anos após o combate.

O primeiro ponto de profunda controvérsia historiográfica diz respeito à atitude do contingente de quatrocentos tebanos que permaneceu no desfiladeiro até o último dia. Heródoto acusa abertamente os tebanos de serem reféns mantidos contra a vontade por Leónidas, afirmando que eles teriam se rendido nos momentos finais.

No entanto, autores posteriores como Plutarco refutaram enfaticamente essa versão em seu ensaio Sobre a Malícia de Heródoto. Para Plutarco, aqueles tebanos eram voluntários anti-persas que lutaram com dignidade e bravura nas etapas finais da batalha das termópilas.

Outra divergência crucial reside no cálculo das baixas sofridas pelos invasores. Autores clássicos registram que o exército persa perdeu cerca de vinte mil homens no desfiladeiro, incluindo dois irmãos de Xerxes, enquanto as perdas gregas totais somariam quatro mil homens.

Pesquisadores contemporâneos consideram essas cifras sobrestimadas pela retórica patriótica grega. Grande parte das mortes persas provavelmente decorreu de desespero e pisoteamento mútuo durante o afunilamento caótico nas praias lamacentas da batalha das termópilas.

Mitos desfeitos sobre a batalha das termópilas

A carga dramática do episódio facilitou a proliferação de mitos que distorcem o papel dos participantes e o real significado do combate. A tabela a seguir confronta as crenças populares consagradas com a realidade documentada por historiadores contemporâneos:

Mito PopularRealidade Histórica ComprovadaFontes Documentais e Arqueológicas
Apenas trezentos espartanos lutaram no desfiladeiroCerca de sete mil gregos lutaram no início; mais de mil permaneceram no sacrifício final.Heródoto (Histórias VII, 202) e Diodoro Sículo documentando téspios, tebanos e hilotas.
Os espartanos lutavam nus com capas vermelhasUsavam armaduras pesadas de bronze ou linotórax, elmos coríntios e caneleiras de metal.Vasos áticos de figuras negras, estátuas votivas e relevos fúnebres de Esparta.
A resistência nas Termópilas salvou Atenas da destruiçãoA derrota abriu caminho para a invasão persa; Atenas e a Acrópole foram incendiadas.Escavações arqueológicas na Acrópole de Atenas revelando a camada de destruição persa.
Os espartanos rejeitavam qualquer tática que não fosse avanço cegoEmpregaram retiradas fingidas refinadas e excelente coordenação de revezamento de tropas.Registros táticos de Heródoto detalhando as manobras de choque e contra-ataque gregas.

Separar a lenda da realidade histórica não apequena os homens de 480 a.C.; pelo contrário, resgata a complexidade humana de cidadãos que enfrentaram dilemas morais agudos em nome de sua civilização.

Sem essa lucidez crítica, a memória do passado transforma-se em fábula vazia e perde sua força educativa para as gerações presentes que buscam lições reais na batalha das termópilas.

Legado duradouro da batalha das termópilas

O impacto da batalha das termópilas reverberou muito além do solo ensanguentado do desfiladeiro grego, tornando-se o paradigma clássico de resistência moral e sacrifício cívico diante de probabilidades impossíveis. No curto prazo, a resistência comprou dias preciosos para que a frota grega em Artemísio evitasse o cerco e se recolhesse para a baía de Salamina.

Foi nas águas estreitas de Salamina que o estrategista ateniense Temístocles destruiu a armada de Xerxes. A vitória naval forçou o monarca persa a recuar para a Ásia com metade de suas tropas terrestres por medo de ficar isolado na Europa.

No ano seguinte, em 479 a.C., as forças combinadas das pólis gregas esmagaram os remanescentes persas na planície de Plateias. O exemplo de tenacidade demonstrado na batalha das termópilas serviu de chama inspiradora para a vitória final de toda a Grécia.

Séculos depois, a doutrina da infantaria pesada e o valor da disciplina de choque desenvolvidos pelos gregos influenciariam as reformas estruturais de outros grandes impérios mediterrâneos, como as táticas vistas na legião romana e nas monumentais campanhas antigas.

Mais tarde, os generais romanos estudariam exaustivamente as manobras defensivas de Leónidas para planejar contenções em terrenos acidentados, comprovando a perenidade dos princípios táticos testados na batalha das termópilas.

No local histórico do combate, um monumento singelo imortalizou as palavras do poeta Simônides de Ceos, gravadas em pedra para a posteridade: “Caminhante, vai dizer a Esparta que aqui jazemos, obedientes às suas leis.”

Esse epitáfio austero sintetiza o espírito de uma época em que o compromisso moral para com a comunidade superava o instinto biológico de autopreservação, eternizando o significado da batalha das termópilas.

Fontes históricas sobre a batalha das termópilas

Para os leitores que desejam aprofundar suas pesquisas sobre as Guerras Médicas com base em documentos autênticos e historiografia de autoridade internacional, indicamos as seguintes referências acadêmicas sobre a batalha das termópilas:

  • Para uma visão enciclopédica rigorosa sobre os aspectos táticos e políticos do conflito greco-persa, acesse a análise temática da Enciclopédia Britannica sobre o evento de 480 a.C.
  • Para um estudo detalhado da arqueologia do desfiladeiro, armamento hoplítico e relatos de Heródoto, consulte o artigo da World History Encyclopedia dedicado ao confronto.
  • Para examinar elmos coríntios autênticos, pontas de flechas de bronze e relevos bélicos recuperados em sítios gregos e persas, explore o acervo digital de antiguidades do The British Museum.
  • Entre as fontes literárias primárias fundamentais, leia o Livro VII das Histórias de Heródoto, a Biblioteca Histórica de Diodoro Sículo (Livro XI) e as biografias paralelas escritas pelo filósofo grego Plutarco sobre o legado que eternizou a batalha das termópilas.

Próximas leituras e conexões históricas

A compreensão das grandes batalhas da Antiguidade clássica ganha profundidade quando comparamos as estratégias gregas com outros episódios decisivos do mundo antigo. O confronto nas Termópilas estabeleceu as bases morais que culminaram em vitórias subsequentes em Salamina e Plateias, alterando irrevogavelmente os rumos da civilização ocidental.

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Perguntas frequentes sobre a batalha das termópilas

Quantos soldados gregos realmente lutaram na Batalha das Termópilas?

Ao contrário do mito popular consagrado pelo cinema de que apenas trezentos espartanos lutaram, o contingente grego inicial reunia cerca de sete mil guerreiros. Esse exército confederado incluía trezentos espartíatas, mil periecos e hilotas, setecentos téspios, quatrocentos tebanos, mil fócios e contingentes de várias pólis peloponésias. No último dia de resistência, permaneceram no desfiladeiro trezentos espartanos, setecentos téspios e quatrocentos tebanos.

Quem eram os setecentos téspios que morreram ao lado de Leónidas?

Os téspios eram soldados cidadãos da pólis de Téspias, na Beócia, comandados pelo general Demófilo. Quando o rei Leónidas ordenou a retirada da maioria dos gregos diante do cerco persa, os setecentos téspios recusaram-se a abandonar seus aliados. Permaneceram voluntariamente no desfiladeiro e lutaram até o último homem, sofrendo a aniquilação quase total de sua juventude cívica em defesa da liberdade grega.

Qual era a real vantagem do desfiladeiro das Termópilas para os gregos?

A passagem das Termópilas funcionava como um funil geográfico onde a largura do caminho reduzia-se a poucos metros entre o mar Egeu e os penhascos do monte Calídromo. Esse espaço confinado anulava completamente a superioridade numérica persa de arqueiros e cavalaria. Os invasores eram forçados a enfrentar diretamente a muralha compacta de escudos de bronze e lanças pesadas da falange hoplítica grega.

Como a traição de Efialtes selou o desfecho do combate?

Efialtes de Trácis era um pastor local que conhecia a trilha montanhosa de Anopaia, um caminho elevado que contornava os desfiladeiros principais. Em troca de uma vultosa recompensa prometida por Xerxes, ele guiou o general Hidarnes e os Imortais persas pela retaguarda grega durante a noite. Ao contornar a posição fortificada, os persas cercaram as forças de Leónidas e forçaram o confronto final em campo aberto.

O sacrifício nas Termópilas evitou a destruição de cidades gregas?

Não de imediato. Após romper a defesa grega nas Termópilas, o exército de Xerxes avançou pela Grécia central sem resistência, saqueando a Beócia e incendiando a cidade de Atenas e a Acrópole. O valor estratégico fundamental do sacrifício residiu em retardar o avanço persa, permitindo que a frota grega se reorganizasse e derrotasse decisivamente a armada invasora na célebre Batalha de Salamina semanas depois.

Qual era o equipamento defensivo de um hoplita espartano?

O guerreiro espartano entrava em combate protegido por um grande escudo circular de madeira revestido em bronze (áspis ou hoplon), que cobria do queixo ao joelho. Usava também um elmo coríntio de bronze com crista, couraça metálica ou de linho reforçado (linotórax) e caneleiras de bronze. Para o ataque, empunhava uma lança de madeira de freixo de quase três metros (dory) e uma espada curta (xifos).