Batalha de Midway: O Ponto de Virada de 1942 e Mitos Navais

Na manhã ensolarada de 4 de junho de 1942, às dez horas e vinte e dois minutos, o destino da Segunda Guerra Mundial no Oceano Pacífico foi decidido em escassos trezentos segundos a noroeste do atol de Midway. Rompendo uma densa camada de nuvens a mais de quatro mil metros de altitude, dezenas de bombardeiros de mergulho SBD Dauntless da Marinha dos Estados Unidos despencaram quase na vertical sobre a esquadra de porta-aviões da Marinha Imperial Japonesa. Aquele ataque aéreo fulminante e devastador consagrou a histórica batalha de midway.

Neste estudo estratégico e militar aprofundado, você descobrirá como a inteligência criptoanalítica americana quebrou a cifra naval inimiga e transformou uma aparente inferioridade numérica em uma vitória avassaladora. Examinaremos o trabalho silencioso da Station HYPO em Pearl Harbor, o dilema tático do almirante Chuichi Nagumo nos hangares fechados, a atuação dos bombardeiros de mergulho, a cronologia em quatro fases do embate aeronaval e os mitos desfeitos sobre a batalha de midway.

Sumário

Contexto da Batalha de Midway: Quando, Onde e Quem

Nos primeiros seis meses após o ataque de surpresa a Pearl Harbor em dezembro de 1941, as forças imperiais do Japão conquistaram uma cadeia ininterrupta de vitórias no Sudeste Asiático e no Pacífico. As Filipinas, Cingapura, as Índias Orientais Holandesas e portos estratégicos na Nova Guiné caíram sucessivamente sob o controle de Tóquio. No entanto, a audaciosa incursão aérea americana comandada pelo tenente-coronel James Doolittle em abril de 1942, bombardeando alvos industriais em Tóquio, abalou o alto-comando japonês.

O ataque psicológico à capital japonesa convenceu o comandante supremo da Frota Combinada, o almirante Isoroku Yamamoto, de que o perímetro defensivo imperial deveria ser ampliado com urgência em direção ao leste. Yamamoto elaborou um plano operacional monumental batizado de Operação MI, cujo objetivo principal consistia em capturar o minúsculo atol de Midway, situado a meio caminho entre a Ásia e a América do Norte. Ao atacar a ilha, Yamamoto planejava atrair os últimos porta-aviões americanos para a batalha de midway.

A doutrina militar da marinha imperial japonesa repousava sobre a concepção clássica da batalha decisiva de aniquilamento (Kantai Kessen), na qual frotas maciças de encouraçados e cruzadores decidiriam o conflito em um grande embate de artilharia. Yamamoto reuniu uma armada formidável de quase duzentos navios de guerra, divididos em forças de invasão, esquadras de apoio e uma força de ataque de quatro porta-aviões de esquadra (Akagi, Kaga, Soryu e Hiryu) comandada pelo experiente vice-almirante Chuichi Nagumo na iminente batalha de midway.

No entanto, a liderança americana sob o comando do almirante Chester W. Nimitz possuía uma vantagem invisível e decisiva. No porão da Estação de Rádio de Pearl Harbor, a unidade de inteligência de combate Station HYPO, chefiada pelo tenaz comandante Joseph Rochefort, vinha decifrando progressivamente as mensagens criptografadas da Marinha Imperial. Não foi a superioridade no número de cascos blindados que decidiu o destino do maior oceano da Terra, mas a clareza das ondas de rádio decifradas na penumbra de um porão no Havaí.

Linha do Tempo da Batalha de Midway: O Ponto de Virada de 1942

O embate entre as frotas de porta-aviões no Pacífico central desenvolveu-se em ritmo vertiginoso ao longo de quatro dias de combate aeronaval intenso. A tabela cronológica a seguir organiza as quatro etapas decisivas que ditaram o rumo da batalha de midway e transformaram o equilíbrio estratégico da Segunda Guerra Mundial.

Horário / Data Fase Tática Acontecimento Operacional Impacto Militar Estratégico
3 de junho de 1942 Fase 1: Reconhecimento Hidroavião PBY Catalina avista a frota de transporte japonesa a oeste de Midway. Confirmação da rota de aproximação do comboio inimigo sem perda de surpresa tática.
4 de junho, 04h30 às 07h00 Fase 1: Bombardeio da Ilha Primeira onda aérea japonesa bombardeia Midway; esquadrões da ilha atacam sem sucesso. Desgaste defensivo das baterias da ilha e solicitação de segundo ataque por Tomonaga.
4 de junho, 07h15 às 09h00 Fase 2: O Dilema de Nagumo Reconhecimento avista frota dos EUA; ordem caótica de rearmar bombas por torpedos. Paralisia tática e concentração de munições explosivas nos hangares inferiores japoneses.
4 de junho, 09h20 às 10h15 Fase 2: Sacrifício Torpedeiro Torpedeiros Devastator atacam a baixa altitude e são massacrados por caças Zero. Atração involuntária da patrulha aérea de caças japoneses para o nível do mar.
4 de junho, 10h22 às 10h28 Fase 3: Cinco Minutos Fatais Bombardeiros Dauntless do Enterprise e Yorktown atacam e incendeiam 3 porta-aviões. Destruição irreversível do Akagi, Kaga e Soryu e colapso da vanguarda da Kido Butai.
4 de junho, tarde e noite Fase 3: O Fim do Hiryu Aviões do Hiryu paralisam o Yorktown; ataque aéreo americano afunda o quarto navio japonês. Eliminação completa dos quatro porta-aviões de ataque japoneses no confronto de Midway.
5 a 6 de junho de 1942 Fase 4: Retirada Imperial Yamamoto cancela a operação; cruzador Mikuma afunda e o Yorktown é torpedeado. Consolidação da vitória dos EUA e perda definitiva da iniciativa estratégica do Japão.

Ato 1: A Cifra JN-25 e a Armadilha da Station HYPO

O alicerce da vitória americana em Midway não foi forjado nos estaleiros da Califórnia, mas na mente obstinada de linguistas e matemáticos trabalhando sem descanso no Havaí. A Marinha Imperial Japonesa utilizava o complexo sistema de cifras operacionais JN-25b, baseado em códigos de cinco dígitos alterados periodicamente e mascarados por tabelas matemáticas de números aleatórios. No porão da Station HYPO em Pearl Harbor, o comandante Joseph Rochefort e sua equipe trabalhavam em turnos de vinte horas para decifrar a correspondência militar antes da batalha de midway.

Em maio de 1942, os analistas americanos interceptaram repetidas mensagens navais mencionando uma colossal ofensiva contra um alvo codificado pelas letras “AF”. Enquanto alguns oficiais em Washington suspeitavam de um ataque a Pearl Harbor ou a São Francisco, Rochefort estava convencido de que o código designava o atol de Midway. Para comprovar sua hipótese científica, os criptoanalistas sugeriram que a guarnição de Midway transmitisse pelo rádio uma mensagem falsa em código aberto informando que sua usina de dessalinização de água potável havia quebrado.

A Confirmação de AF e a Emboscada de Point Luck

A isca foi engolida de imediato pelas estações de escuta de Tóquio. Quarenta e oito horas depois da transmissão falsa, a inteligência americana interceptou uma mensagem ultrassecreta da frota japonesa informando aos comandantes que “AF estava com escassez crítica de água doce”. A armadilha estava desvendada com precisão matemática: o almirante Chester W. Nimitz conhecia não apenas o local exato do ataque, mas a data precisa de 4 de junho, a composição das forças navais e os rumos de aproximação que definiriam a batalha de midway.

Armado com essas informações privilegiadas, Nimitz posicionou seus três porta-aviões disponíveis — o USS Enterprise, o USS Hornet e o miraculosamente reparado USS Yorktown — em uma posição secreta batizada de Point Luck, a cerca de trezentas milhas a nordeste do atol. Emulando os princípios clássicos de atração e surpresa consagrados na batalha de Canas, a marinha americana montou uma emboscada aeronaval que mudaria o curso da batalha de midway.

Ato 2: O Ataque ao Atol e o Dilema de Armamento de Nagumo

Representando o ápice da guerra marítima oceânica que outrora nascera com as pioneiras caravelas portuguesas, o almirante Chuichi Nagumo lançou cento e oito aeronaves contra o atol de Midway. Sob o comando do experiente tenente Joichi Tomonaga, bombardeiros e caças japoneses castigaram pistas de pouso, depósitos de combustível e baterias costeiras da ilha. No entanto, ao retornar à esquadra às sete horas da manhã, Tomonaga comunicou por rádio a Nagumo que uma segunda vaga de bombardeio era imperativa na batalha de midway.

Essa mensagem desencadeou uma das decisões mais catastróficas da história da guerra naval. Nagumo mantinha em reserva nos hangares inferiores de seus porta-aviões dezenas de bombardeiros armados com torpedos navais pesados, aguardando a eventual aparição de navios de guerra americanos. Convencido de que não havia porta-aviões inimigos nas proximidades e pressionado pelos relatórios da ilha, o almirante ordenou às sete horas e quinze minutos que as aeronaves fossem desarmadas de seus torpedos para receber bombas de fragmentação terrestre.

A Aparição dos Porta-Aviões dos Estados Unidos

O processo manual de troca de torpedos por bombas demorava quase duas horas em cada navio. Enquanto as equipes de mecânicos trabalhavam febrilmente nos hangares inferiores de aço, às sete horas e vinte e oito minutos um hidroavião de reconhecimento do cruzador pesado Tone emitiu um comunicado desconcertante: dez navios inimigos avistados a noroeste, entre eles uma embarcação que parecia ser um porta-aviões. O pânico e a indecisão tomaram conta do passadiço do Akagi durante a batalha de midway.

Nagumo ordenou imediatamente a reversão da manobra: desarmar novamente as bombas terrestres e remontar os torpedos perfurantes contra navios. Sem tempo hábil para transportar as pesadas bombas de duzentos e cinquenta quilos de volta aos paióis de munição blindados no fundo do casco, os marinheiros japoneses empilharam as ogivas ativas e os tanques de combustível diretamente sobre o piso dos conveses de hangar fechados. Essa desordem transformou o interior dos porta-aviões em bombas-relógio de combustível de aviação na iminência da batalha de midway.

Ato 3: A Batalha de Midway e os Cinco Minutos Fatais

Enquanto a esquadra de Nagumo tentava reorganizar seus esquadrões em meio ao caos dos hangares, as forças de ataque decoladas do Enterprise, Hornet e Yorktown aproximavam-se da área em rotas dispersas. Os primeiros a alcançar a frota japonesa foram os esquadrões de torpedeiros Douglas TBD Devastator. Voando a baixa altitude em velocidade reduzida de pouco mais de duzentos quilômetros por hora, os aparelhos americanos foram atacados ferozmente por dezenas de caças Mitsubishi A6M Zero da patrulha aérea de combate imperial na batalha de midway.

O resultado foi um massacre de bravura comovente. Do Esquadrão Torpedo 8 (VT-8) do USS Hornet, comandado pelo capitão-tenente John Waldron, todos os quinze aviões foram abatidos antes de conseguirem lançar seus torpedos, sobrevivendo um único piloto na água. De um total de quarenta e um torpedeiros lançados pelos três porta-aviões americanos, apenas seis retornaram aos seus navios. Nenhum torpedo atingiu os cascos inimigos, mas seu sacrifício involuntário selou a virada decisiva da batalha de midway.

O Céu Limpo para os Bombardeiros Dauntless

Ao descerem em perseguição aos torpedeiros no nível das ondas, os caças Zero esgotaram suas munições de canhão e abandonaram a altitude superior de vigilância defensiva. Exatamente às dez horas e vinte minutos da manhã, quando a patrulha aérea japonesa comemorava a destruição dos torpedeiros rente à água, cinquenta e quatro bombardeiros de mergulho SBD Dauntless sob o comando dos tenentes-coronéis Wade McClusky e Maxwell Leslie surgiram sem oposição a quatro mil e quinhentos metros de altitude sobre a esquadra na batalha de midway.

O que se seguiu foram os cinco minutos que abalaram as bases do Império Japonês. Com seus conveses repletos de mangueiras de combustível abertas e hangares abarrotados de bombas e torpedos soltos, os porta-aviões Kaga e Akagi foram atingidos por bombas pesadas lançadas em mergulhos quase verticais de setenta graus. Uma bomba lançada pelo tenente Richard Best perfurou o convés de voo do Akagi e detonou diretamente no hangar de torpedos. Minutos depois, esquadrões do Yorktown atingiram o Soryu com três bombas fatais, transformando três gigantes navais em fornalhas incontroláveis na batalha de midway.

Ato 4: O Duelo Final do Hiryu e a Queda de Yamamoto

O único porta-aviões japonês que escapou ileso ao ataque devastador das dez horas da manhã foi o Hiryu, navegando milhas ao norte sob o comando do contra-almirante Tamon Yamaguchi. Determinado a vingar a destruição de seus companheiros de esquadra, Yamaguchi lançou imediatamente duas levas consecutivas de bombardeiros de mergulho Aichi D3A Val e torpedeiros Kate contra a formação americana, localizando e danificando gravemente o porta-aviões USS Yorktown na batalha de midway.

Apesar da perícia dos ataques japoneses, a reação dos esquadrões sobreviventes dos Estados Unidos foi fulminante. No final da tarde daquele mesmo dia memorável, vinte e quatro bombardeiros Dauntless decolados do Enterprise encontraram o Hiryu em manobra de fuga. Quatro bombas de quinhentas libras atingiram a proa do navio em rápida sucessão, explodindo o elevador de aeronaves e incendiando o convés de voo. Na madrugada seguinte, Tamon Yamaguchi amarrou-se ao mastro do navio e afundou com sua nau, consumando a derrota incontestável da batalha de midway.

O Recuo de Yamamoto e o Balanço Final

A centenas de milhas a oeste, a bordo do colossal encouraçado Yamato de setenta mil toneladas, o almirante Isoroku Yamamoto percebeu com amargura que sua superioridade em canhões de superfície era inútil sem a cobertura da aviação embarcada. Às duas horas e cinquenta e cinco minutos da madrugada de 5 de junho, Yamamoto emitiu a ordem formal de cancelamento da Operação MI e ordenou a retirada geral da armada em direção às bases seguras do Japão após o colapso sofrido na batalha de midway.

O balanço final do combate foi desolador para a estratégia expansionista japonesa: quatro porta-aviões de esquadra afundados, um cruzador pesado destruído, duzentas e quarenta e oito aeronaves perdidas e mais de três mil marinheiros e pilotos experientes mortos. Os Estados Unidos perderam o valoroso USS Yorktown, o contratorpedeiro Hammann e cento e cinquenta aviões. A iniciativa militar estratégica no Pacífico passara definitivamente para as mãos dos Aliados, consagrando a batalha de midway como o grande divisor de águas da guerra aeronaval.

Figuras-Chave na Batalha de Midway

O confronto aeronaval de 1942 reuniu comandantes de perfis teóricos contrastantes cujas decisões operacionais e intuição tática decidiram o domínio do maior teatro de operações do século XX. Conheça as quatro figuras históricas determinantes que deixaram seus nomes gravados na memória da batalha de midway.

Chester W. Nimitz

Comandante supremo da Frota do Pacífico dos Estados Unidos, o almirante Chester W. Nimitz assumiu a liderança após a devastação de Pearl Harbor com calma analítica inabalável. Confiando plenamente nas estimativas de sua equipe de inteligência de rádio, arriscou seus únicos porta-aviões em uma emboscada arrojada que transformou a maré da guerra na batalha de midway.

Isoroku Yamamoto

Comandante supremo da Frota Combinada do Japão e estrategista naval brilhante, Yamamoto planejou o ataque aéreo a Pearl Harbor sabendo que o poderio industrial dos Estados Unidos superaria o Japão em uma guerra prolongada. Sua tentativa ousada de forçar um embate decisivo em Midway esbarrou na quebra de seus códigos secretos e na dispersão excessiva de suas forças na batalha de midway.

Chuichi Nagumo

Vice-almirante comandante da Primeira Força Aeronaval (Kido Butai), Nagumo liderou os porta-aviões japoneses com sucesso absoluto durante seis meses de conquistas no Pacífico e no Índico. Hesitante perante a falta de dados de reconhecimento e pressionado pela doutrina rígida, tomou as decisões fatais de armamento de aeronaves que selaram a tragédia na batalha de midway.

Raymond A. Spruance

Comandante da Task Force 16 americana em substituição ao almirante William Halsey, que fora hospitalizado, o contra-almirante Spruance demonstrou extraordinário discernimento tático e frieza cirúrgica. Ao ordenar o ataque aéreo no momento exato e retirar suas forças prudentemente após a vitória sem perseguir a frota noturna japonesa, consolidou o triunfo na batalha de midway.

O Que as Fontes Divergem Sobre a Batalha de Midway

A reconstrução analítica do embate de 1942 foi dominada durante mais de cinquenta anos pela narrativa autobiográfica do comandante japonês Mitsuo Fuchida, líder do ataque a Pearl Harbor, em seu influente livro Midway: A Batalha que Condenou o Japão. Fuchida afirmava categoricamente que às dez horas e vinte minutos os conveses de voo de Nagumo estavam repletos de aeronaves rearmadas prontas para decolar em cinco minutos para aniquilar a frota americana na batalha de midway.

Investigações contemporâneas rigorosas conduzidas pelos historiadores Jonathan Parshall e Anthony Tully em sua consagrada obra Shattered Sword refutaram documentalmente o mito de Fuchida. Cruzando os registros de navegação e os diários de manutenção das quatro naus japonesas, os pesquisadores demonstraram que os conveses superiores estavam quase vazios de aviões de ataque e que a Kido Butai ainda necessitava de quase quarenta minutos adicionais para organizar sua esquadra antes de decolar.

Outra divergência historiográfica considerável envolve o papel real desempenhado pelos aviões baseados em terra no atol de Midway. Enquanto historiadores tradicionais destacavam que nenhum dos ataques lançados a partir da ilha causou danos físicos aos navios de Nagumo, análises táticas modernas ressaltam que foram esses ataques repetidos de bombardeiros B-17 e Vindicators que desorganizaram as patrulhas japonesas e forçaram os erros de decisão de armamento na batalha de midway.

Mitos Desfeitos Sobre a Batalha de Midway

A magnitude da reviravolta militar de 1942 gerou mitos ufanistas e simplificações românticas que a moderna historiografia documental desconstruiu. A tabela comparativa a seguir esclarece os quatro maiores mitos sobre a batalha de midway com base em relatórios navais de pós-ação e arquivos de registros japoneses desclassificados.

Mito Popular Crença Comum Realidade Histórica Documentada Fontes Primárias e Arqueologia
Milagre Inexplicável da Sorte A vitória dos EUA ocorreu por pura sorte e acidentes fortuitos do destino. Foi fruto de inteligência criptoanalítica precisa da Station HYPO e ousadia de comando naval. Arquivos desclassificados da inteligência naval da Marinha dos EUA.
Conveses Lotados de Aviões Os navios foram atingidos com aviões armados alinhados no convés superior. Os aviões estavam nos hangares fechados inferiores sendo reabastecidos entre bombas e torpedos. Shattered Sword de Jonathan Parshall e Anthony Tully e registros do Akagi.
Destruição Total da Frota A marinha do Japão perdeu todos os seus navios de guerra em combate. O Japão perdeu quatro porta-aviões; o dano fatal foi a perda de pilotos veteranos e mecânicos de voo. Registros de perdas operacionais do Ministério da Marinha Imperial de Tóquio.
Ação Exclusiva dos Navios Os porta-aviões americanos venceram o confronto naval totalmente sozinhos. A base terrestre de Midway atuou como porta-aviões inafundável provocando o atraso de Nagumo. Relatórios operacionais da guarnição militar do atol de Midway de 1942.

Legado da Batalha de Midway: Por Que o Confronto Ainda Importa

A batalha de Midway assinalou a transformação mais profunda da história da guerra naval desde a invenção da artilharia de pólvora. O combate sepultou definitivamente a era secular dos encouraçados como a espinha dorsal das armadas mundiais, estabelecendo o porta-aviões e o poder aéreo embarcado como o vetor soberano de projeção de poder militar sobre os mares do globo, lição estudada por estrategistas na mesma era em que a batalha de Stalingrado redefinia a guerra terrestre.

Estrategicamente, a perda de quatro porta-aviões de primeira linha privou o Império Japonês de sua força ofensiva de choque e quebrou o mito de invencibilidade que acompanhava suas forças armadas desde o início do conflito. Apoiada na pujança industrial acelerada desde a era da máquina a vapor, a economia americana repôs perdas navais em ritmo inalcançável para Tóquio após a batalha de midway.

Além disso, o confronto permanece como o exemplo supremo do valor inestimável da informação criptoanalítica e da integração entre inteligência militar e comando de campo. Ao demonstrar que a clareza sobre os planos do adversário compensa desvantagens materiais evidentes, os eventos de junho de 1942 fixaram princípios de tomada de decisão que continuam a orientar a liderança contemporânea e a memória eterna sobre a batalha de midway.

Fontes e Leitura Adicional Sobre a Guerra do Pacífico

Para leitores, historiadores e entusiastas militares que desejam aprofundar suas pesquisas nas crônicas de combate e nos relatórios navais oficiais sobre a batalha de midway, indicamos as seguintes obras fundamentais e diretórios internacionais:

  • Jonathan Parshall e Anthony Tully: Shattered Sword: The Untold Story of the Battle of Midway. A obra-prima definitiva da historiografia militar contemporânea, reconstruindo minuto a minuto as operações japonesas a partir de fontes primárias do Japão.
  • Craig L. Symonds: The Battle of Midway. Uma narrativa histórica brilhante e rigorosa focada nas personalidades dos comandantes e na liderança de Chester W. Nimitz e Raymond Spruance.
  • Gordon W. Prange: Miracle at Midway. Estudo clássico monumental sobre a campanha aeronaval que entrevistou veteranos sobreviventes dos dois lados do combate.
  • Enciclopédia Britannica (Batalha de Midway): Síntese acadêmica detalhada cobrindo as fases táticas, mapas operacionais e o balanço de baixas do confronto no Pacífico.
  • The National WWII Museum: Dossiê oficial e acadêmico examinando o papel da inteligência criptográfica e a história dos esquadrões de torpedeiros em Midway.
  • Enciclopédia Britannica (Biografia de Chester W. Nimitz): Biografia completa cobrindo o comando do almirante e sua liderança estratégica na Segunda Guerra Mundial.

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Perguntas Frequentes Sobre a Batalha de Midway

Como a inteligência americana descobriu o plano japonês para Midway?

A equipe de inteligência da Marinha dos EUA na Station HYPO em Pearl Harbor, liderada por Joseph Rochefort, decifrou cerca de um terço do código naval japonês JN-25b. Suspeitando que o alvo designado como AF era Midway, ordenaram que a ilha transmitisse uma mensagem falsa sobre a falha de sua usina de dessalinização de água. A inteligência japonesa interceptou a mensagem e confirmou em rádio cifrado que AF estava sem água, revelando o plano da batalha de midway.

O que foram os chamados cinco minutos fatais da batalha?

Os cinco minutos fatais referem-se ao intervalo crucial entre 10h22 e 10h28 de 4 de junho de 1942. Enquanto os caças japoneses combatiam torpedeiros americanos no nível do mar, esquadrões de bombardeiros de mergulho SBD Dauntless atacaram sem oposição a partir de quatro mil metros de altitude, atingindo os porta-aviões Akagi, Kaga e Soryu com bombas pesadas que detonaram combustíveis e torpedos soltos nos hangares da batalha de midway.

Qual foi o erro decisivo cometido pelo vice-almirante Nagumo?

O vice-almirante Chuichi Nagumo cometeu o erro tático de hesitar perante relatórios contraditórios e ordenar a troca de armamentos de seus aviões de reserva duas vezes seguidas. Ao substituir torpedos por bombas terrestres para atacar a ilha e depois inverter a ordem às pressas para atacar navios americanos, acumulou bombas e mangueiras de combustível desprotegidas nos hangares inferiores dos porta-aviões que explodiram em chamas na batalha de midway.

Por que a Batalha de Midway é considerada o ponto de virada da guerra?

Midway foi o ponto de virada porque a marinha do Japão perdeu quatro porta-aviões de esquadra de primeira linha e centenas de pilotos e mecânicos veteranos insubstituíveis em um único dia. Sem capacidade industrial para repor essas perdas na velocidade dos estaleiros dos Estados Unidos, o Império Japonês perdeu a iniciativa estratégica no Pacífico e foi forçado a adotar uma postura defensiva até o desfecho da Segunda Guerra Mundial.

Qual foi a importância do porta-aviões USS Yorktown no confronto?

O USS Yorktown teve papel primordial após ser reparado milagrosamente em apenas setenta e duas horas nos estaleiros de Pearl Harbor, após sofrer danos severos na Batalha do Mar de Coral. Em Midway, seus esquadrões de bombardeiros ajudaram a afundar o Soryu e o Hiryu. Mesmo após ser atingido por duas levas de ataques japoneses, o navio atraiu a atenção inimiga e poupou o porta-aviões Enterprise antes de ser afundado.

Os aviões baseados no atol de Midway acertaram algum navio japonês?

Nenhum avião bombardeiro decolado da ilha de Midway conseguiu acertar bombas nos navios de guerra de Nagumo. No entanto, seus ataques contínuos e descoordenados ao longo da manhã desorganizaram as patrulhas aéreas de caças Zero, forçaram manobras evasivas constantes que impediram o lançamento dos esquadrões japoneses e convenceram Nagumo da necessidade de ordenar o bombardeio adicional que atrasou a sua esquadra na batalha de midway.