Queda de Tenochtitlán: O Cerco de 1521 e o Fim dos Astecas

Na alvorada nevoenta de 28 de abril de 1521, nas margens lodosas do Lago Texcoco no coração do Vale do México, treze bergantins de madeira foram lançados à água sob os gritos de guerra de milhares de guerreiros indígenas aliados. Do centro da lagoa protegida por diques monumentais, o jovem imperador mexica Cuauhtémoc observava as velas brancas desfraldadas e os canhões de bronze que se preparavam para cercar a capital insular asteca. Aquele momento tenso marcou a fase final que culminaria na trágica queda de tenochtitlán.

Neste estudo histórico minucioso, você compreenderá as dimensões militares, biológicas e diplomáticas de um dos cercos mais sangrentos e complexos da história das Américas. Analisaremos a inovação da guerra anfíbia com frotas fluviais desmontáveis, o papel determinante dos exércitos aliados de Tlaxcala e Texcoco, a devastação demográfica provocada pela epidemia de varíola, a cronologia em quatro fases do confronto e os mitos desfeitos sobre a queda de tenochtitlán.

Sumário

Contexto da Queda de Tenochtitlán: Quando, Onde e Quem

No início do século XVI, Tenochtitlán era uma das maiores e mais deslumbrantes metrópoles urbanas do planeta. Erguida sobre ilhotas artificiais no leito raso do Lago Texcoco a partir de 1325, a capital da Tríplice Aliança asteca abrigava cerca de duzentos mil habitantes em uma malha ortogonal perfeita de canais aquáticos, pontes levadiças de madeira e calçadas monumentais de pedra. Aquedutos duplos traziam água potável das nascentes de Chapultepec, enquanto jardins flutuantes irrigados sustentavam a população com milho e legumes frescos.

No entanto, a prosperidade mexica repousava sobre uma estrutura hegemônica militar que impunha pesados tributos em alimentos, metais preciosos, plumas raras e prisioneiros para sacrifícios religiosos aos povos vizinhos. Cidades subjugadas na bacia mexicana acumulavam profundo ressentimento contra o domínio centralizador de Tenochtitlán. Quando a expedição espanhola de Hernán Cortés desembarcou na costa de Veracruz em 1519, encontrou um mosaico étnico fragmentado por ódios tributários, cenário que pavimentou o caminho para a futura queda de tenochtitlán.

A marcha de Cortés em direção ao interior do México foi viabilizada pela diplomacia bilíngue da indígena Malintzin (conhecida como Doña Marina ou Malinche) e pela adesão em massa da República de Tlaxcala, um enclave guerreiro independente cercado pelos astecas que forneceu dezenas de milhares de guerreiros veteranos aos conquistadores. Após a tensa recepção pacífica inicial em novembro de 1519 pelo imperador Montezuma II, a violência explodiu no Massacre do Templo Maior em maio de 1520, ordenado pelo capitão Pedro de Alvarado durante ausência temporária de Cortés.

A revolta popular asteca forçou a fuga espanhola na trágica Noite Triste em 30 de junho de 1520, quando centenas de conquistadores e milhares de guerreiros indígenas aliados foram mortos nas calçadas lacustres. Refugiado em Tlaxcala para se recompor, Cortés planejou uma estratégia anfíbia para isolar a capital. Não foram as couraças europeias que ditaram o destino do lago, mas a revolta armada de nações indígenas que uniram forças para acelerar a queda de tenochtitlán.

Linha do Tempo da Queda de Tenochtitlán: Do Desembarque ao Cerco

A conquista militar do planalto mexicano desenrolou-se ao longo de mais de dois anos de manobras táticas arrojadas, hecatombes sanitárias e combates lacustres ferozes. A tabela cronológica a seguir sintetiza as quatro grandes fases que culminaram na queda de tenochtitlán entre o desembarque inicial na costa e a rendição imperial definitiva em agosto de 1521.

Período / Data Fase Histórica Acontecimento Marcante Impacto Estratégico e Militar
Novembro de 1519 Fase 1: Entrada Pacífica Montezuma II recebe Cortés em Tenochtitlán e é colocado sob prisão domiciliar. Paralisia do comando político mexica e tensão crescente entre a nobreza local.
30 de junho de 1520 Fase 2: A Noite Triste Rebelião popular após o massacre do Templo Maior e fuga espanhola com pesadas baixas. Destruição temporária da força hispânica e retirada estratégica para Tlaxcala.
Setembro a Dezembro de 1520 Fase 3: A Epidemia de Varíola Propagação fulminante da varíola em Tenochtitlán e morte do tlatoani Cuitláhuac. Colapso demográfico e morte de comandantes militares experientes da cidade.
28 de abril de 1521 Fase 4: Lançamento Naval Treze bergantins construídos em Tlaxcala são lançados às águas do Lago Texcoco. Início do bloqueio naval definitivo e corte de suprimentos às calçadas urbanas.
Maio a Julho de 1521 Fase 4: Cerco dos 93 Dias Corte do aqueduto de Chapultepec e combates urbanos casa a casa nas calçadas. Fome extrema, sede e destruição sistemática da infraestrutura mexica no lago.
13 de agosto de 1521 Fase 4: A Queda Final Captura da canoa de Cuauhtémoc no lago e rendição de Tlatelolco aos invasores. Fim do Império Mexica e consumação da histórica queda de tenochtitlán.

Ato 1: O Lago Texcoco e a Construção dos Treze Bergantins

Consciente de que Tenochtitlán era uma fortaleza aquática inexpugnável por terra aberta, Hernán Cortés concebeu um plano de engenharia militar sem precedentes na história do Novo Mundo. Para neutralizar as milhares de canoas de guerra astecas que dominavam os canais e fuzilavam com flechas as tropas confinadas nas calçadas estreitas, os atacantes precisavam de superioridade naval dentro da própria lagoa. Foi então que o mestre carpinteiro naval Martín López projetou treze bergantins armados com canhões para garantir a queda de tenochtitlán.

A construção dessas embarcações começou nas florestas seguras de Tlaxcala, a mais de cem quilômetros de distância do lago e além de altas serras vulcânicas. Mais de oito mil carregadores indígenas transportaram nos ombros as pranchas de madeira cortadas, mastros, cordoalhas de cânhamo, velas de algodão e peças de ferro forjado recuperadas dos navios afundados em Veracruz. O transporte pelas montanhas até Texcoco representou uma façanha de esforço físico comparável aos grandes transportes bélicos da Antiguidade, indispensável para a futura queda de tenochtitlán.

A Montagem Naval e a Vantagem dos Bergantins

Às margens do lago, milhares de trabalhadores aliados escavaram em dois meses um canal navegável de três quilômetros de extensão, reforçado por paliçadas de madeira, para permitir o lançamento seguro dos navios nas águas de Texcoco. Os bergantins mediam cerca de doze a quinze metros de comprimento, eram movidos por remos e velas latinas e contavam com amuradas reforçadas com pranchas grossas de carvalho para proteger os remadores contra as flechas de ponta de obsidiana e as lanças arremessadas por atiradores astecas na queda de tenochtitlán.

Na proa de cada embarcação foi instalado um canhão de bronze ou ferro capaz de disparar balas de pedra e estilhaços metálicos a longa distância. Quando os bergantins entraram em operação coordenada no início de maio de 1521, a esquadra mexica de canoas foi desbaratada com facilidade esmagadora. As naus espanholas abalroavam as frágeis embarcações de madeira nativa, quebrando as linhas de suprimento alimentar que vinham de canoa das aldeias ribeirinhas e acelerando o isolamento logístico da queda de tenochtitlán.

Ato 2: A Queda de Tenochtitlán e o Peso dos Aliados Indígenas

Um dos aspectos mais distorcidos pelas crônicas coloniais heroicas foi a composição demográfica das forças sitiantes. Hernán Cortés comandava menos de novecentos soldados espanhóis e cerca de oitenta cavalos no início do cerco final. O grosso avassalador do exército invasor era formado por mais de duzentos mil guerreiros indígenas provenientes de Tlaxcala, Texcoco, Chalco, Xochimilco e Huexotzinco, povos ansiosos por se libertarem da tirania do império mexica e que desempenharam o papel de choque decisivo na queda de tenochtitlán.

Esses contingentes nativos forneceram não apenas homens de combate armados com porretes macuahuitl, arcos e escudos de vime, mas toda a infraestrutura logística de sobrevivência. Milhares de carreadores transportavam víveres, água doce, pólvora e materiais de construção diariamente para as bases de cerco espanholas. Guerreiros aliados tapavam as brechas abertas nas calçadas com entulho e pedras sob fogo cruzado, permitindo que a cavalaria europeia avançasse sem ficar vulnerável aos fossos aquáticos abertos na queda de tenochtitlán.

O Corte dos Aquedutos de Chapultepec

No início de maio de 1521, Cortés ordenou a execução do primeiro golpe tático devastador contra os defensores insulares. Os capitães Pedro de Alvarado e Cristóbal de Olid avançaram por terra com milhares de aliados tlaxcaltecas até a nascente de Chapultepec, destruindo as tubulações de alvenaria e cerâmica que conduziam água potável cristalina para a capital lacustre através da lagoa salobra, provocando sede imediata na população sitiada na queda de tenochtitlán.

Privados de água potável limpa e cercados por águas amargas e salobras do lago, os moradores foram forçados a cavar poços improvisados nas praças ou beber água poluída misturada a sedimentos. As três calçadas monumentais que ligavam a ilha à terra firme — Iztapalapa ao sul, Tlacopan a oeste e Tepeyac ao norte — foram bloqueadas por divisões espanholas e indígenas coordenadas por terra e apoiadas pelos bergantins a partir dos flancos aquáticos na queda de tenochtitlán.

Ato 3: A Epidemia de Varíola e a Guerra Urbana de Aniquilamento

O fator biológico que desequilibrou de forma irrevogável as forças defensivas astecas teve início antes do cerco militar, trazido involuntariamente por um escravo africano da expedição de Pánfilo de Narváez em meados de 1520. A varíola (chamada em língua náuatle de huey cahuiztli, a grande lepra ou grande peste) encontrou uma população nativa totalmente desprovida de defesas imunológicas contra patógenos do Velho Mundo, gerando uma crise demográfica tão terrível quanto a peste negra na Europa medieval.

A doença provocava febre ardente, dores excruciantes e erupções purulentas que cobriam o corpo inteiro, impedindo os doentes de se moverem para beber água ou se alimentar. Em escassas semanas, um terço da população do Vale do México pereceu no surto viral, incluindo o imperador Cuitláhuac, herói militar da Noite Triste que havia expulsado os espanhóis meses antes. O colapso sanitário desarticulou a liderança política e dizimou veteranos experientes no momento mais crítico da queda de tenochtitlán.

A Luta Feroz Quarteirão por Quarteirão

Assumindo o trono em meio à fumaça das fogueiras funerárias, o jovem príncipe de vinte e cinco anos Cuauhtémoc reorganizou a resistência armada com bravura indômita. Sabendo que não podiam enfrentar a cavalaria e os canhões em terreno plano, os guerreiros astecas converteram cada telhado, canal e templo em uma trincheira fortificada. Canoas ocultas em estacas pontiagudas submersas perfuravam o fundo dos bergantins, enquanto pedras e dardos choviam dos terraços sobre os invasores na queda de tenochtitlán.

Diante da resistência desesperada quarteirão por quarteirão, Cortés adotou uma política de aniquilação total. Em vez de avançar rapidamente e deixar retaguardas desprotegidas, o conquistador ordenou que cada casa, palácio e templo conquistado durante o dia fosse demolido até os alicerces, usando o entulho de pedras e adobe para aterrar definitivamente os canais aquáticos. Essa estratégia de terra arrasada converteu a cidade em uma planície aberta de escombros onde a cavalaria manobrava livremente, selando o destino da queda de tenochtitlán.

Ato 4: A Queda de Tenochtitlán e a Rendição de Cuauhtémoc

Em agosto de 1521, o cerco completou noventa dias ininterruptos de combates, fome absoluta e degradação física. Os defensores estavam confinados ao último reduto urbano no bairro de Tlatelolco, cercados por montanhas de cadáveres insepultos que empestavam o ar. Desesperados pela fome extrema, mulheres, crianças e soldados comiam raízes amargas de junco, cascas de árvores ressecadas, lagartos e pedaços de couro cozido de escudos para enganar a morte antes da queda de tenochtitlán.

Mesmo agonizantes sob a fome e a peste, os guerreiros de Cuauhtémoc recusaram sucessivas propostas de rendição honrosa oferecidas por emissários de Cortés. Em 13 de agosto de 1521, dia dedicado a São Hipólito no calendário litúrgico católico, as colunas hispânicas e indígenas desfecharam o assalto geral sobre Tlatelolco. Os canhões dos bergantins varreram as últimas paliçadas lacustres, enquanto guerreiros aliados massacravam sem piedade milhares de civis sitiados nas ruínas da queda de tenochtitlán.

A Captura de Cuauhtémoc e o Fim do Império

Tentando romper o bloqueio naval para organizar a resistência fora da ilha, o imperador Cuauhtémoc embarcou em uma canoa rápida de guerra com seus generais e familiares mais próximos. No entanto, o bergantim espanhol comandado pelo capitão García Holguín alcançou a embarcação imperial em alta velocidade. Percebendo que os arcabuzeiros preparavam-se para disparar, o tlatoani levantou-se com nobreza e entregou-se como prisioneiro, pedindo apenas respeito à sua família na queda de tenochtitlán.

Levado à presença de Hernán Cortés no terraço de uma residência parcialmente destruída, Cuauhtémoc pronunciou palavras memoráveis registradas pelos cronistas: senhor capitão, fiz tudo o que estava ao meu alcance em defesa da minha cidade e do meu povo, e nada mais posso fazer; toma este punhal da tua cintura e tira-me a vida. Cortés recusou matá-lo naquele instante, mas a cidade ardia em cinzas ao redor: silenciava-se o coração do império mexica e consumava-se a histórica queda de tenochtitlán.

Figuras-Chave na Queda de Tenochtitlán

O confronto decisivo de 1521 reuniu personalidades de extrema astúcia política, genialidade militar e bravura trágica que transformaram o destino do continente americano. Conheça as quatro figuras históricas determinantes que deixaram seus nomes gravados na memória da queda de tenochtitlán.

Hernán Cortés

Nascido em 1485 em Medellín, na Espanha, Cortés aliou audácia política, pragmatismo maquiavélico e capacidade de liderança militar sem paralelos. Ao compreender as divisões étnicas do planalto central mexicano, forjou a coalizão indígena indispensável para derrotar o império asteca e coordenou a estratégia naval e terrestre que garantiu a queda de tenochtitlán.

Cuauhtémoc

Nascido por volta de 1496, Cuauhtémoc (cujo nome em náuatle significa águia que desce) foi o décimo primeiro e último tlatoani mexica. Assumindo a coroa imperial em meio à epidemia de varíola, liderou a defesa de sua capital com tenacidade sobre-humana por noventa e três dias de cerco, tornando-se o símbolo imortal da resistência indígena na queda de tenochtitlán.

Malintzin (La Malinche)

Nobre indígena de origem nahua entregue como escrava aos espanhóis em Tabasco, Malintzin dominava fluentemente o maia e o náuatle. Como intérprete e conselheira diplomática de Cortés, revelou aos conquistadores as crenças religiosas, os conflitos internos e as táticas militares dos mexicas, sendo a estrategista silenciosa fundamental para a queda de tenochtitlán.

Xicoténcatl, o Jovem

General supremo do exército de Tlaxcala, Xicoténcatl combateu ferozmente os espanhóis antes de ser voto vencido no conselho de anciãos de sua república, que aprovou a aliança com Cortés. Desconfiado das ambições imperialistas europeias, tentou retirar suas tropas durante o cerco final e foi sumariamente enforcado sob ordens de Cortés durante a queda de tenochtitlán.

O Que as Fontes Divergem Sobre a Queda de Tenochtitlán

A reconstrução documental do cerco de 1521 é cercada por profundas divergências entre as Cartas de Relação enviadas por Hernán Cortés ao imperador Carlos V e as crônicas indígenas redigidas em língua náuatle compiladas no Códice Florentino por Bernardino de Sahagún. A principal divergência reside na morte do imperador Montezuma II em junho de 1520: fontes espanholas afirmam que o soberano foi morto acidentalmente por pedradas atiradas por seu próprio povo rebelado, enquanto crônicas astecas acusam os espanhóis de apunhalá-lo pelas costas antes da fuga da queda de tenochtitlán.

Outra controvérsia historiográfica crucial gira em torno do mito do retorno de Quetzalcóatl. Enquanto cronistas europeus difundiram a versão de que Montezuma paralisou suas defesas por acreditar que os homens brancos eram deuses profetizados, historiadores modernos como Matthew Restall demonstram que essa narrativa foi forjada após a conquista para justificar a derrota e retratar os nativos como ingênuos e supersticiosos perante a queda de tenochtitlán.

Divergências persistem também na estimativa total das baixas humanas ocorridas durante o cerco de noventa e três dias. Fontes hispânicas minimizaram o morticínio para evitar críticas morais na Europa, enquanto registros compilados pelo historiador Miguel León-Portilla em A Visão dos Vencidos calculam que mais de cem mil astecas perderam a vida em decorrência direta dos combates, da fome extrema e da epidemia de varíola que acelerou a queda de tenochtitlán.

Mitos Desfeitos Sobre a Queda de Tenochtitlán

A historiografia colonial e a cultura popular romantizaram a conquista do México com clichês etnocêntricos que a moderna investigação etnohistórica desconstruiu. A tabela analítica a seguir esclarece os quatro maiores mitos sobre a queda de tenochtitlán com base em fontes documentais primárias e achados arqueológicos do Templo Maior.

Mito Popular Crença Comum Realidade Histórica Documentada Fontes Primárias e Arqueologia
Conquista por Poucos Espanhóis Quinhentos soldados europeus derrotaram sozinhos um império inteiro. Mais de 200 mil guerreiros indígenas de Tlaxcala e Texcoco formavam 99% das forças sitiantes. História Verdadeira de Bernal Díaz del Castillo e Códice de Tlaxcala.
Os Deuses Brancos de Quetzalcóatl Os mexicas consideraram Cortés e seus homens deuses sagrados. Mito literário criado décadas depois; Montezuma agiu como estrategista diplomático pragmático. Sete Mitos da Conquista Espanhola de Matthew Restall.
Superioridade Exclusiva da Pólvora Arcabuzes e canhões venceram as armas de madeira e pedra sozinhos. A pólvora umedecia nos lagos; armas decisivas foram espadas de aço toledano e o corte de água potável. Cartas de Relação de Hernán Cortés e escavações de Tlatelolco.
Sociedade Primitiva e Bárbara Tenochtitlán era um povoado rústico sem engenharia urbana complexa. Era uma das maiores metrópoles do mundo, com 200 mil habitantes, aquedutos duplos e diques avançados. Cartas de Cortés ao rei Carlos V e ruínas do Templo Maior na Cidade do México.

Legado da Queda de Tenochtitlán: Por Que o Evento Ainda Importa

A destruição da metrópole insular asteca em agosto de 1521 encerrou milênios de desenvolvimento civilizatório mesoamericano autônomo e inaugurou a era do Império Colonial Espanhol nas Américas. Sobre os escombros dos templos e canais aterrados do lago, Cortés fundou a Cidade do México como sede do Vice-Reino da Nova Espanha, impondo a língua castelhana e o catolicismo sobre as cinzas da queda de tenochtitlán.

No entanto, a derrota militar não extinguiu a identidade dos povos indígenas que continuaram a habitar o Vale do México. A fusão sincrética entre tradições nativas e elementos europeus deu nascimento à rica cultura mestiça mexicana contemporânea, manifestada na religiosidade da Virgem de Guadalupe, na culinária do milho e na preservação da língua náuatle falada por milhões de cidadãos até hoje como memória viva da queda de tenochtitlán.

Além disso, o cerco serve de advertência atemporal sobre a fragilidade de impérios teocráticos poderosos que subjugam populações periféricas por meio da coerção e do terror. Ao perderem o apoio dos povos vizinhos e enfrentarem o colapso biológico de uma epidemia invisível, as imponentes pirâmides de pedra não conseguiram salvar a dinastia mexica da ruína que eternizou a queda de tenochtitlán.

Fontes e Leitura Adicional Sobre a Conquista do México

Para leitores, pesquisadores e estudantes que desejam aprofundar seus estudos nos códices pictográficos originais e nas crônicas de testemunhas oculares sobre a queda de tenochtitlán, indicamos as seguintes obras de referência internacional e repositórios acadêmicos:

  • Bernal Díaz del Castillo: História Verdadeira da Conquista da Nova Espanha. O mais detalhado relato de testemunha ocular redigido por um soldado veterano que lutou nas calçadas de Tenochtitlán.
  • Hernán Cortés: Cartas de Relación. As correspondências oficiais enviadas diretamente ao imperador Carlos V descrevendo a diplomacia indígena, a montagem dos bergantins e as fases militares do cerco.
  • Miguel León-Portilla: A Visão dos Vencidos: Relações Indígenas da Conquista. Coletânea monumental de textos poéticos e crônicas em língua náuatle compiladas no Códice Florentino expressando o drama asteca.
  • Hugh Thomas: Conquest: Montezuma, Cortés, and the Fall of Old Mexico. O mais completo estudo acadêmico contemporâneo sobre os aspectos demográficos, políticos e militares da guerra hispano-asteca.
  • Matthew Restall: Sete Mitos da Conquista Espanhola. Obra revisionista essencial que descontrói o mito dos deuses brancos e restaura o protagonismo das forças indígenas aliadas.
  • Enciclopédia Britannica: Artigo analítico e detalhado cobrindo as fases táticas do cerco, as armas de época e o desfecho militar em 1521.
  • World History Encyclopedia (A Queda de Tenochtitlán): Dossiê ilustrado e acadêmico examinando a resistência de Cuauhtémoc, o papel das epidemias e a queda do império mexica.
  • World History Encyclopedia (Cortés e o Fim do Império): Síntese biográfica e operacional cobrindo a marcha de Cortés desde Veracruz até a capitulação imperial.

Leituras Relacionadas e Reflexões Históricas

O embate entre a confederação indígena e o império mexica às margens do Lago Texcoco comprova como alianças políticas regionais e crises sanitárias redefinem o curso de civilizações inteiras. O encerramento do mundo pré-colombiano no México não apenas transformou a geografia das Américas, mas inaugurou a modernidade global que uniu definitivamente os continentes.

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Perguntas Frequentes Sobre a Queda de Tenochtitlán

Como treze bergantins foram construídos e colocados no Lago Texcoco?

Os bergantins foram projetados pelo mestre carpinteiro Martín López e construídos em madeira nas florestas de Tlaxcala, a mais de cem quilômetros do lago. Milhares de carregadores indígenas transportaram as pranchas numeradas, mastros, cordoalhas e ferragens através das montanhas até Texcoco. Na margem da lagoa, os operários escavaram um canal de três quilômetros para lançar as embarcações artilhadas que selaram a queda de tenochtitlán.

Qual foi a importância real dos aliados indígenas na conquista do México?

Os aliados indígenas foram o fator militar absolutamente determinante na guerra contra os mexicas. Hernán Cortés comandava menos de novecentos soldados espanhóis, enquanto mais de duzentos mil guerreiros de Tlaxcala, Texcoco e cidades subjugadas compunham as fileiras de ataque. Sem o apoio militar nativo, o fornecimento diário de comida e o transporte dos bergantins, a queda de tenochtitlán teria sido impossível para os europeus.

A varíola foi uma arma biológica intencional usada pelos espanhóis?

Não, a propagação da varíola não foi um ataque biológico deliberado, mas um contágio acidental introduzido por um membro da expedição de Pánfilo de Narváez em 1520. Como os povos nativos das Américas nunca haviam tido contato com o vírus e não possuíam imunidade biológica, a epidemia espalhou-se rapidamente pelo Vale do México, dizimando um terço da população e matando o imperador Cuitláhuac antes da queda de tenochtitlán.

Os astecas realmente acreditaram que Hernán Cortés era o deus Quetzalcóatl?

Não, a alegação de que os mexicas tomaram os espanhóis por deuses é um mito historiográfico forjado décadas depois da conquista por cronistas franciscanos para justificar a derrota indígena. Fontes contemporâneas comprovam que Montezuma II e seus conselheiros trataram os europeus desde o início como embaixadores humanos estrangeiros perigosos, empregando diplomacia, tributos e rituais tradicionais para tentar afastá-los de Tenochtitlán.

Como a cidade de Tenochtitlán foi abastecida de água durante o cerco?

A cidade não conseguiu manter o abastecimento regular de água durante o cerco de 1521. Logo nos primeiros dias de ataque, as tropas espanholas e tlaxcaltecas cortaram os aquedutos de alvenaria de Chapultepec que levavam água doce através da lagoa salobra. Confinados na ilha cercada por águas amargas, os moradores beberam água suja de poços rasos e sofreram de desidratação extrema que acelerou a queda de tenochtitlán.

O que aconteceu com a cidade de Tenochtitlán após a rendição final?

Após a rendição de Cuauhtémoc em 13 de agosto de 1521, a cidade foi saqueada por guerreiros aliados e suas pirâmides e palácios foram demolidos para evitar rebeliões. Hernán Cortés aterrou os canais lacustres com os escombros da alvenaria e fundou sobre as ruínas a Cidade do México, nova capital do Vice-Reino da Nova Espanha, utilizando pedras do Templo Maior para edificar a primeira catedral católica colonial.